Itamargarethe Corrêa Lima* – Jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

As férias finalmente chegam e, depois de meses sendo aguardadas quase como uma promessa, trazem consigo planos para dormir mais, viajar, encontrar pessoas ou simplesmente não fazer nada. O último expediente parecia uma espécie de linha de chegada, entretanto, os primeiros dias passam, o despertador deixa de tocar, os compromissos diminuem e aquilo que era tão esperado finalmente está acontecendo.
Para algumas pessoas, junto com o descanso aparece uma sensação inesperada, pois, depois de tanto desejar aquele momento, descobrem que não sabem exatamente o que fazer com ele. É uma experiência aparentemente simples, embora ajude a compreender algo maior, já que durante boa parte da vida somos ensinados a caminhar em direção a alguma coisa.
Primeiro é terminar os estudos, depois conseguir emprego, crescer profissionalmente, comprar a casa, constituir família e alcançar estabilidade. Sempre existe uma próxima estação, no entanto, pouco se fala sobre o que fazer quando finalmente chegamos, razão pela qual algumas realizações podem trazer, depois da comemoração, uma pergunta desconcertante. E agora?
Enquanto perseguimos uma meta, fazemos planos, suportamos dificuldades, adiamos prazeres e encontramos motivação na ideia de que determinado esforço está nos levando para algum lugar. A expectativa organiza parte da rotina e oferece uma direção, de modo que, ao concretizar o propósito, encerra-se também a busca que durante tanto tempo ajudou a movimentar os dias.
Além disso, não desejamos apenas alcançar determinada meta, mas também experimentar as emoções que projetamos para depois dela. Uma promoção costuma carregar a expectativa de reconhecimento, a casa própria representa segurança e a realização de um grande projeto frequentemente é associada à felicidade. Quando a realidade não corresponde ao que foi idealizado, pode surgir uma frustração difícil de confessar.
Como admitir que a felicidade não veio na intensidade esperada depois de conseguir algo tão desejado? E como explicar uma tristeza quando, aparentemente, não existe razão para ela? Nesse ponto aparece a culpa, pois muita gente passa a acreditar que deveria agradecer mais, aproveitar melhor e simplesmente estar feliz.
É justamente aí que o vazio após uma realização pode revelar uma face da depressão. Em algumas situações, o que parecia apenas frustração permanece e passa a ser acompanhado por tristeza, apatia, perda de interesse e dificuldade de sentir prazer, inclusive diante do que antes despertava entusiasmo.
Isso não significa que todo vazio seja depressão, pois frustrações e períodos de adaptação fazem parte da existência. O alerta surge quando esse estado persiste, interfere nas relações, reduz o interesse pelas atividades cotidianas e compromete a maneira como alguém percebe a própria realidade, tornando perigoso tratar esse sofrimento como simples ingratidão ou insatisfação.
Talvez essa face da depressão permaneça tão escondida porque contraria o roteiro social que associa realização à felicidade. Espera-se que o diploma traga satisfação, o dinheiro proporcione tranquilidade, o casamento produza plenitude e o sucesso profissional confirme que todos os sacrifícios valeram a pena, embora nenhuma dessas experiências seja capaz de resolver, sozinha, inquietações muito mais profundas.
Uma promoção pode trazer orgulho e também pressão, o dinheiro elimina inúmeros problemas materiais sem fabricar afeto e o reconhecimento profissional confirma competência sem necessariamente produzir pertencimento. Até uma viagem inesquecível pode mudar a paisagem diante dos olhos e, ainda assim, não resolver o que foi colocado dentro da mala.
Quando se deposita sobre uma realização a responsabilidade por tantas respostas, qualquer resultado pode parecer pequeno diante do que se esperava encontrar. Começa, então, outra corrida, movida por uma nova meta, outro projeto, uma posição melhor ou uma validação ainda maior.
Nem sempre isso significa ambição excessiva, pois permanecer em movimento também pode ser uma maneira de evitar dores que a correria manteve silenciosas. Talvez o vazio não tenha surgido depois da chegada, mas já estivesse presente antes dela, encoberto pela esperança de que tudo seria diferente quando determinado propósito fosse alcançado.
Em alguns casos, chegar ao destino apenas retira o que mantinha alguém ocupado o suficiente para não perceber um quadro depressivo já existente. Sem a urgência da próxima meta, sentimentos até então abafados pela rotina finalmente encontram espaço para aparecer.
Perceber esse mecanismo não significa abandonar sonhos ou transformar o sucesso em inimigo. Sonhar movimenta a existência e celebrar realizações é necessário, porém nenhum diploma, patrimônio, relacionamento ou reconhecimento deve carregar sozinho a responsabilidade de preencher questões pertencentes a dimensões muito mais profundas do ser humano.
A depressão nem sempre aparece quando tudo está dando errado. Algumas vezes, ela se revela justamente quando, aos olhos dos outros, finalmente deu tudo certo. E talvez seja essa uma de suas faces mais difíceis de perceber, o vazio que permanece mesmo depois de alcançar o que durante tanto tempo parecia ser a resposta.
Ainda existem outras faces desse sofrimento que merecem ser compreendidas e é sobre elas que continuaremos dialogando. Até breve!












