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A FELICIDADE ESTÁ ONDE A COLOCAMOS – PARTE II

Por *Itamargarethe Corrêa Lima* – Jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

Na primeira parte desta reflexão, evidenciou-se que a felicidade, quando deslocada para o futuro ou aprisionada ao passado, transforma o presente em um simples intervalo de espera. Esse movimento esvazia a experiência concreta da vida, pois retira do agora sua centralidade e o reduz a um tempo sempre insuficiente, condicionado a algo que ainda virá ou que já ficou para trás.

Diante disso, torna-se necessário compreender o presente como o único espaço real de existência. Não se trata de negar projetos, ambições ou memórias afetivas, mas de reconhecer que é somente no agora que as escolhas são feitas, os vínculos se constroem e a identidade se consolida. Toda tentativa de viver fora desse tempo resulta em afastamento de si e em frustração contínua.

A maturidade emocional manifesta-se na capacidade de conciliar desejo e consciência. Ambicionar crescimento não é incompatível com presença. Ao contrário, somente há avanço consistente quando o indivíduo está inteiro no tempo que vive. Nesse sentido, a felicidade deixa de ser promessa futura ou lembrança idealizada e passa a se expressar como coerência entre valores, decisões e expectativas.

Esse estado não se confunde com prazer imediato nem com euforia permanente. Ele se revela como equilíbrio, lucidez e responsabilidade afetiva. Trata-se da serenidade de quem compreende que a vida não precisa estar perfeita para ser digna, nem livre de dificuldades para ser significativa.

Quando o bem-estar é entendido como construção interna, alinhada ao tempo presente, ele deixa de depender das atitudes alheias ou da posse de bens e reconhecimentos externos. Afirma-se, assim, como expressão de autonomia e consciência, sustentada pela capacidade de assumir o próprio caminho sem terceirizar a própria realização.

É nesse encontro entre o tempo vivido e a responsabilidade individual que a felicidade encontra sua forma mais sólida e possível. Não como um destino distante, mas como uma maneira consciente de caminhar.

Pense nisso.

Por hoje, ficamos por aqui. Até breve.

Categoria: Notícias

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